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EDITORIAL: A Montanha que Pariu um Rato

Os portugueses têm expressões curiosas e esta é aquela que mais me recorda o mais recente episódio do estado da Saúde em Portugal (não confundir com o Estado da saúde) e que se desvaneceu por completo.

Um aviso editorial, não escrevo nunca sobre algo em que não possa apresentar uma proposta de solução. Os ‘eixos do mal’ são talvez os melhores best-sellers em termos de audiência e publicidade mas nesta coluna e no Fórum Hospital do Futuro não temos outro propósito que não seja o de construir, fazer avançar a inovação, trazer ganhos de saúde para as pessoas, as organizações e as comunidades que nos seguem.

Mas neste caso, não encontro qualquer proposta de solução. Escrevo sobre os pareceres técnicos para a vacinação infantil COVID19 que, por uma estranha e única circunstância (a proximidade de eleições em Portugal), começaram por ser reclamados e, já no final, exigidos à DGS. Muito naturalmente, uma vez partilhados publicamente não vieram acrescentar nada de novo exceto, talvez, um subjetivo reforço da confiança na vacinação que, de outro modo, seria muito mermada.

E que poderíamos fazer nós enquanto sociedade portuguesa para evitar que este ruído político que os media logo amplificam, possa não ocorrer?

Sinceramente, não tenho respostas.

Talvez seja mesmo esta a própria natureza das sociedades humanas em regimes democráticos onde há a mais completa liberdade de expressão.

Por exemplo, se eu escrever aqui que o Primeiro Ministro de Portugal cometeu um erro de cálculo ao não aceitar as propostas dos partidos à esquerda do PS já que esta dissolução parlamentar lhe pode vir custar o lugar, não me vai entrar a policía política em casa.

Ou quando o líder do mais recente epifenómeno político em Portugal é aplaudido de pé por uma multidão quando dá murros na mesa a prometer derrubar António Costa, ninguém vai parar a Caxias ou a Peniche onde, antes do 25 de abril, muita gente estava presa por muito menos que isso.

Uma das minhas primeiras memórias de criança foi uma discussão entre os meus pais sobre esconder ou não o livro ‘Portugal Amordaçado’ (a versão era em Francês), um livro proíbido pela censura do regime.

Mas que diferença para os tempos de hoje, que bom é viver num regime em liberdade.

Em compensação, temos que aguentar o lado escuro desta preciosa liberdade. Esta constante falta de sossego atiçada pelo torvelinho na vida política de um país à beira de eleições.

Portugal é hoje uma sociedade vibrante e cada vez mais exigente com a atuação do Estado (nem sequer já do governo). Um país que já não se conforma quando um alto dirigente da Função Pública (nem que seja a máxima autoridade de saúde) nega a partilha de documentos internos que foram usados num processo de decisão.

Esta sociedade mudou. E, paradoxalmente, é a mesma sociedade que hoje tem a 2ª maior taxa de vacinação da Europa e a 4ª em todo o mundo.

A menos de 60 dias de eleições legislativas em Portugal não vou opinar sobre nada mais do que tenho opinado antes deste período eleitoral e que os meus leitores podem rever aqui.

Retenho uma frase de um comentador televisivo por quem tenho muito apreço: “os partidos políticos são preguiçosos.” Acrescento a isto, os partidos políticos são sobretudo ruidosos na sua forma de fazer política em Portugal.

Mas não é só aqui, os decibéis sobem de intensidade também em França e no caso paradigmático de Espanha, onde a política faz lembrar um ringue de box, ainda a anos de eleições.

Fonte: https://www.discoazul.pt/cascos-estereo-udaberri-kukuxumusu.html

Assim sendo, e pela proximidade do Natal, talvez estes sejam a melhor recomendação de um presente para os meus leitores para que possam escolher os seus Podcast favoritos (posso recomendar aqui o Cruzamento Digital e Saúde, moderado pelos companheiros Daniel Guedelha e André Correia, ou o Workshops Work da minha colega Miryam Hadnes e para quem gostar de storytelling sobre pessoas com experiências de vida inusuais, o Histórias com M.

Isto para não falar nos óculos imersivos 3D do amigo impossível, essa imaginativa campanha de um operador de telecomunicações.

Mas esse já seria apenas um presente para o natal de 2022, quando estivermos imersos no 5G de um dos 6 licenciados pela ANACOM em Portugal na passada semana (por fim!).

Curioso por ver quais os impactos que poderemos vir a ter no setor da saúde com esta nova tecnologia. Partilho aqui este recurso em Francês com as 5 ambições do grupo G5 para a Saúde, vamos a isso também em Portugal?

Votos de Boas Festas!

Imagem no topo: https://en.wikipedia.org/wiki/Matterhorn

By | 2021-12-16T10:57:09+01:00 Dezembro 11th, 2021|Categories: EDITORIAL|0 Comments

About the Author:

Licenciado em Psicologia pelo ISPA, mestrado pela Universidade de Sheffield e doutorado pela Universidade de Lancaster. Desde 1996, foi professor no Instituto Superior de Psicologia Aplicada e no ISEG (Escola de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa). Como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, concluiu o doutoramento na Management School da Universidade de Lancaster em Novembro de 2000. Foi consultor do Governo Regional da Madeira (Direção Regional de Saúde) e levou a cabo diversos trabalhos de consultoria e projetos de investigação para o ISEG, INETI, Câmara Municipal de Évora, várias empresas do grupo EDP, Ministério da Saúde Portugal, Eureko BV, Observatório Europeu da Droga, e PWC, em Espanha onde reside. Como facilitador profissional certificado e membro da IAF (International Association of Facilitators), iniciou as Cimeiras Ibéricas de Líderes de Saúde em Espanha e o Fórum do Hospital do Futuro em Portugal. É especializado em GDSS (sistemas de apoio à decisão em grupo) e projeta intervenções para otimizar a mudança e a inovação em saúde e educação. Desde 2020, é cofundador da Digital Collaboration Academy, uma empresa com sede em Londres, dedicada a facilitar o caminho para a adoção de ferramentas para a colaboração digital. Autor e editor de "Arquitetar a Colaboração", o título de uma série de livros dedicados à facilitação de grupos, seus princípios, métodos e técnicas, que podem ser aplicados essencialmente em duas áreas: Por um lado, no âmbito da gestão, para obter resultados mais eficazes com o trabalho em grupo nas organizações - os líderes facilitadores sabem como criar e dirigir equipes de alta performance (ver volume 1). Mas, também, no âmbito da consultoria, para intervir mais eficazmente com a 'facilitação de grupos' e entregar um serviço de qualidade, nos diversos setores empresariais e sócio comunitários (ver 2º volume).

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