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EDITORIAL: A união faz a força

No passado dia 23 de Junho participei com muito agrado e honra na minha primeira reunião como membro do Fórum Saúde para o Século XXI, com o qual o Fórum Hospital do Futuro (HdF) está estratégicamente associado desde o passado mês de Maio.

A marca Hospital do Futuro irá permanecer como canal temático e especializado em inovação em saúde e irá articular a sua estratégia editorial com o Fórum Saúde XXI, na prossecução dos nossos objetivos comuns.

Foi assim que contámos já com a colaboração do Fórum Saúde XXI para a realização do nosso II Almoço-Colóquio com o Ministro da Saúde – O presente e o futuro do SNS – que teve lugar no passado dia 30 de Maio, no hotel Pestana Palace em Lisboa.

Neste evento que decorreu à porta fechada e sem a presença de jornalistas, os participantes foram convidados a colocar uma questão por cada uma das mesas do almoço, o que propiciou um debate vivo e interativo entre os participantes, seguido pelas intervenções do Senhor Ministro em resposta às questões colocadas.

Ficou bem patente que o SNS de hoje nada tem que ver com a realidade apenas há uns anos atrás. A trajetória de modernização que foi interrompida nos anos da intervenção da Troika, tem sido reposta de forma virtuosa pelo atual governo e a atual equipa ministerial da saúde têm vindo a empreender com vigor um conjunto de medidas políticas com alcance sistémico evidente e a recuperar os níveis de investimento que voltaram a ser possíveis, sem qualquer dilação.

De forma esporádica, ao longo de toda a legislatura, temos assistido a um clima de certa crispação relativamente ao SNS que é fomentado em larga medida pelos seus principais grupos profissionais (ver o meu último editorial aqui). No entanto, é para todos evidente que as queixas relativas ao desempenho do SNS e a sua falta de financiamento são feitas com muito pouco fundamento.

É bem verdade que a realização de um massivo ajuste orçamental que permitisse a elaboração de um orçamento de base-zero com relação às dividas acumulados poderia dar um grande alívio às contas de muitos hospitais e estabelecimentos de saúde do Estado e re-equilibrar os fluxos de caixa dos seus formecedores que são afetados pelo elevado volume de créditos vencidos. Mas esse apagão da dívida seria algo questionável se apenas se verificasse no setor da saúde e não em relação à restante dívida pública.

Sem que exista uma mudança de paradigma na forma como os recursos são empregues em saúde e uma resposta sistémica à divida do Estado portugês, tal como dos demais países no sul da Europa, gastar mais dinheiro em Saúde não é por si só uma garantia de contrinuir para a resolução dos problemas neste setor.

A recomendação para o aumento da percentagem da despesa em Saúde, com relação ao total da despesa pública para nos aproximar à média da UE é legítima mas será realmente prioritária?

Posso dar um exemplo simples: se o meu carro usa um daqueles motores antigos que consome 15 litros aos 100 Km, não é por eu ter mais dinheiro para combustível que consigo chegar mais eficientemente ao meu destino.

A sociedade civil, assim como os sindicatos e ordens profissionais devem ser os primeiras a empreender e a pugnar por esta mudança de paradigma na gestão de saúde e adotar o seguinte princípio:

  • Por cada nova reinvidação com impacto económico iremos associar uma proposta de impacto orçamental nulo, na qual os novos custos associados sejam compensados com ganhos de eficência tangíveis por via do aumento da poupança do dinheiro dos contribuintes e nunca com o lançamento de mais impostos.
By | 2018-07-04T15:17:47+01:00 Julho 2nd, 2018|Categories: EDITORIAL|0 Comments

About the Author:

Licenciado em Psicologia pelo ISPA, mestrado pela Universidade de Sheffield e doutorado pela Universidade de Lancaster. Desde 1996, foi professor no Instituto Superior de Psicologia Aplicada e no ISEG (Escola de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa). Como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, concluiu o doutoramento na Management School da Universidade de Lancaster em Novembro de 2000. Foi consultor do Governo Regional da Madeira (Direção Regional de Saúde) e levou a cabo diversos trabalhos de consultoria e projetos de investigação para o ISEG, INETI, Câmara Municipal de Évora, várias empresas do grupo EDP, Ministério da Saúde Portugal, Eureko BV, Observatório Europeu da Droga, e PWC, em Espanha onde reside. Como facilitador profissional certificado e membro da IAF (International Association of Facilitators), iniciou as Cimeiras Ibéricas de Líderes de Saúde em Espanha e o Fórum do Hospital do Futuro em Portugal. É especializado em GDSS (sistemas de apoio à decisão em grupo) e projeta intervenções para otimizar a mudança e a inovação em saúde e educação. Desde 2020, é cofundador da Digital Collaboration Academy, uma empresa com sede em Londres, dedicada a facilitar o caminho para a adoção de ferramentas para a colaboração digital.

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