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EDITORIAL: O impacto da sociedade 5.0 no G20

Como os meus caros leitores saberão da minha experiência compartilhada no LinkedIn (cf. The taste of Lemon), os títulos intencionalmente cativantes têm pouco impacto na geração de tráfego. No entanto, eu não pude resistir a encontrar este. Como a minha estimada colega Nathalie Berthier-Ortmann recentemente publicou, esta semana vai ser “quente em muitos países da Europa e metaforicamente para muitos líderes também, dadas as agendas que temos pela frente”. Os líderes da União Europeia estão reunidos desde domingo para decidir como distribuir os principais cargos na União Europeia, com o socialista holandês Frans Timmermans na pole position para ser nomeado o próximo presidente da Comissão Europeia, segundo a Reuters.

Mas há poucos dias, o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, acolheu a cimeira do G-20, ofuscada pela guerra comercial cada vez mais séria entre os Estados Unidos e a China. No entanto, as suas habilidades como anfitrião ou a tranquilidade da estação das chuvas no local, ou ambas, podem ter produzido um impacto, já que foi apresentado um interessante conjunto de conclusões tépidas, em vez de saídas tempestuosas de participantes descontentes batendo a porta. Mas esta reunião que Abe concebeu para “encarar de frente os problemas globais e propor soluções através do diálogo franco” teve outros resultados interessantes, atendendo às preocupações de protecionismo. A comissária de Comércio da UE, Cecilia Malmstrom, anunciou um acordo de comércio histórico entre os países do Mercosul com a UE, que enviou uma “mensagem alta e clara” em apoio ao livre comércio.

A Declaração dos Líderes do G20 em Osaka inclui o seguinte:

“A inovação é um fator importante para o crescimento económico, que também pode contribuir para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e aumentar a inclusão. Trabalharemos para alcançar uma sociedade inclusiva, sustentável, segura, confiável e inovadora através da digitalização e promovendo a aplicação de tecnologias emergentes. Compartilhamos a noção de uma sociedade futura centrada no ser humano, que está sendo promovida pelo Japão como Sociedade 5.0 “. (cf. este artigo Da Indústria 4.0 à Sociedade 5.0: o grande plano de transformação societária do Japão).

É claro que há razões para otimismo, quando os líderes dos países que representam 85% da economia mundial assinam uma visão de uma sociedade centrada no ser humano. Mas também, razões de preocupação quando as mais duras medidas de segurança adotadas em Osaka significam que ainda existe uma enorme lacuna entre os políticos e as populações que eles servem. Uma lacuna que gera respostas extremistas de desconfiança e feridas abertas, como o movimento dos coletes amarelos em França.

Existe esta urgente necessidade de reconciliação entre o papel e as ações dos políticos com a sociedade. A adoção de formas mais participativas de tomada de decisão que envolvam todos os interessados relevantes desde o início é provavelmente uma quimera, e este modelo de sociedade 5.0 pode ser uma utopia, mas precisamos dar à população mundial (incluindo os nossos próprios países da UE) mais literacia política e mais oportunidades de envolvimento para criar soluções conjuntas que conferem um rumo motivador e empolgante face às novas oportunidades à frente.

O caminho para este admirável mundo novo deve começar por romper o muro da aceitação social. Isso não exige apenas a necessidade de um consenso social, mas também de um exame aprofundado das implicações sociais e até das questões éticas, sobre a definição do que é a felicidade individual e o que significa sermos humanos. Este modelo japonês da Sociedade 5.0 é algo que poderíamos imaginar em outras partes do mundo? De acordo com i-Scoop.eu “fazer previsões a este respeito seria a arrogância ocidental da nossa parte e um grande erro. Então: quem sabe?” Parabéns a Shinzo Abe como anfitrião facilitador do G20 por colocar este cenário da Sociedade 5.0 na agenda do G20. *

Post scriptum

É neste espírito de participação da cidadania no desenvolvimento de estratégias de coprodução no Serviço Nacional de Saúde que terá lugar o próximo Think Tank – O Despertar de um Sonho, uma iniciativa do Fórum Hospital do Futuro e da Quidgest.

Um think tank, think factory ou laboratório de ideias é uma organização que realiza pesquisa e advocacia em tópicos diversificados que intersectam a estratégia, a tecnologia e a ciência política, geralmente levados a cabo por organizações sem fins lucrativos, como é o caso do Fórum Hospital do Futuro.

Congregando um conjunto destacado de líderes de opinião e especialistas, este Think Tank será um espaço para co-criar novas ideias sobre a sustentabilidade do SNS e a sua relação com o cidadão a partir de uma diversidade de pontos de vista, não necessariamente coincidentes. Mais informações aqui.

*Este artigo é um excerto do original publicado por mim no LinkedIn Pulse – How Society 5.0 will impact the G20

By | 2019-07-11T16:43:36+01:00 Junho 30th, 2019|Categories: EDITORIAL|0 Comments

About the Author:

Licenciado em Psicologia pelo ISPA, mestrado pela Universidade de Sheffield e doutorado pela Universidade de Lancaster. Desde 1996, foi professor no Instituto Superior de Psicologia Aplicada e no ISEG (Escola de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa). Como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, concluiu o doutoramento na Management School da Universidade de Lancaster em Novembro de 2000. Foi consultor do Governo Regional da Madeira (Direção Regional de Saúde) e levou a cabo diversos trabalhos de consultoria e projetos de investigação para o ISEG, INETI, Câmara Municipal de Évora, várias empresas do grupo EDP, Ministério da Saúde Portugal, Eureko BV, Observatório Europeu da Droga, e PWC, em Espanha onde reside. Como facilitador profissional certificado e membro da IAF (International Association of Facilitators), iniciou as Cimeiras Ibéricas de Líderes de Saúde em Espanha e o Fórum do Hospital do Futuro em Portugal. É especializado em GDSS (sistemas de apoio à decisão em grupo) e projeta intervenções para otimizar a mudança e a inovação em saúde e educação. Desde 2020, é cofundador da Digital Collaboration Academy, uma empresa com sede em Londres, dedicada a facilitar o caminho para a adoção de ferramentas para a colaboração digital. Autor e editor de "Arquitetar a Colaboração", o título de uma série de livros dedicados à facilitação de grupos, seus princípios, métodos e técnicas.

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