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EDITORIAL: Quando ficaremos todos bem?

Segundo a McKinsey & Company a emergência de novas variantes do SARS-CoV2 pode provocar o estancamento de uma possível imunidade de rebanho e adiar o final desta pandemia inicialmente previsto para o 1º Trimestre de 2023.

Não são as melhores notícias após uma mais que frustrante semana de Páscoa onde um segundo confinamento generalizado separou as famílias na data em que estas aproveitariam para estar juntas, seguindo uma milenar tradição cristã.

De acordo com as conclusões do 3º e último debate preparatório da Cimeira das Regiões de Saúde, que terá lugar nos próximos dias 27 e 28 de abril no formato de evento híbrido emitido a partir do Funchal, é importante preparar a população para uma longa maratona. Vencer esta pandemia não será uma corrida de média-distância que terminará no final deste verão, mesmo com 70% da população vacinada. 

Mesa redonda presidida por Pedro Ramos (Secretário Regional da Saúde e Protecção Civil da Madeira) e Moderada por Paulo Nunes de Abreu (co-fundador do Fórum Hospital do Futuro), tendo como convidados ex-Ministros da Saúde Adalberto Campos Fernandes e Luís Filipe Pereira e o Ministro da Saúde e Segurança Social de Cabo Verde: Arlindo Nascimento do Rosário.

Mas sem querer antecipar as conclusões desta Cimeira, é fundamental compreender que a COVID-19 é uma ameaça civilizacional e que o seu combate não pode ser visto como algo circunstancial e associado ao momento presente, mas sim como uma nova doença que deve ser encarada como permanente. 

Primeira prioridade: conter os contágios

Ninguém dúvida que a vacinação em massa de TODA a população mundial deve ser uma prioridade pois como vimos no editorial anterior, ninguém estará seguro até estarmos todos seguros. Qualquer foco de doença num país não imunizado poderá originar uma nova variante que causará mais novos casos, mais mortes e atrasos na recuperação económica que todos anseiam. 

A combinação da testagem massiva e uso obrigatório de apps de traçabilidade é a prioridade mais imediata, pois sabemos que a vacinação em massa irá sempre ser demorada. 

Segunda prioridade: Confinar e desconfinar seletivamente

Não me surpreende que um país, rico ou pobre, tenha que tomar medidas de confinamento generalizado quando o número de contágios está descontrolado e há que colocar um travão a fundo na contenção da doença. Mas francamente, num país avançado e tecnologicamente bem-dotado como o são hoje todos os países da UE, é imperdoável que os seus governos não se empenhem a fundo na utilização de tudo aquilo que a tecnologia digital hoje nos pode dar para controlar e conter as cadeias de contágio ao nível de cada região de saúde e dentro destas município a município. Todos estes dados já estão disponíveis e a sua precisão e eficácia pode ser aumentada através do uso de dispositivos de recolha de dados individuais (ou Apps de saúde).

Graças à presidência portuguesa do Conselho Europeu, foi já conseguido um consenso sobre a utilização de um certificado digital único para a vacinação. Pergunto, e não podemos ter uma única App em toda a UE para a traçabilidade de contágios, município a município, região a região, país a país. Usando as tecnologias digitais fazer com que toda a UE seja um espaço seguro é tecnologicamente possível (a Madeira já o demonstrou com a App Madeira Safe to Discover). A recuperação e solvência económica de milhões de famílias dependentes do turismo e de outros sectores mais vulneráveis dependerá desta coordenação ao mais alto nível com a máxima prioridade. Seria uma boa forma de mostrar ao Reino Unido que se pode ser mais eficaz no combate a esta pandemia ficando na UE. 

Terceira prioridade: Aumentar a capacidade de produção de vacinas

Logo após a Hungria. a Áustria está igualmente em conversações para adquirir por sua conta um milhão de doses da vacina Sputnik V para fazer frente às necessidades de vacinação da sua população. Mas passa pela cabeça de alguém que possam imperar quaisquer tipos de bloqueios geopolíticos em relação às vacinas? Cada dia que a Agência Europeia do Medicamento tardar na aprovação na Europa de TODAS as vacinas disponíveis no mercado pode ser quantificado num valor de prejuízo económico e em vidas humanas, mas sobretudo esta demora irá aumentar as possibilidades do aparecimento de novas variantes. Vencer a COVID-19 será uma longa maratona que poderá demorar muito menos se soubermos fazer ‘sprints’ iniciais. 

Quarta prioridade: Vacinar todo o mundo

Finalmente, é de celebrar a cooperação entre duas empresas rivais na produção de mais vacinas para o programa COVAX, uma iniciativa global que envolve os governos de países doadores e fabricantes para garantir que as vacinas COVID-19 estejam disponíveis em todo o mundo para os países com menos capacidade económica. 

Nesta parceria, a Sanofi fornece o seu antigénio recombinante e a GSK contribui com o seu adjuvante pandémico, ambas plataformas de vacinação estabelecidas que se têm revelado bem-sucedidas contra a gripe. A tecnologia recombinante combinada com o adjuvante da GSK poderá oferecer vantagens relativamente à temperatura, permitindo estabilidade a temperaturas usadas para outras vacinas comuns, bem como na capacidade de gerar respostas imunitárias elevadas e sustentadas, e ainda no potencial para prevenir a transmissão do vírus.

Quinta prioridade: Fazer diferente

A partir de agora a Saúde não pode ser vista como aquele componente de gasto acessório no Orçamento de Estado, e como ministério do Estado passará a ser uma pasta estratégica e plenamente articulada com todas as restantes para garantir a máxima resiliência de toda a população ante próximas pandemias. 

Uma população sã e segura será sinónimo de uma economia robusta capaz de sustentar o Estado e a sua solvência no longo prazo. Uma agenda de Saúde Europeia será o passo necessário para garantir uma rápida recuperação económica da UE e a solvência de todos os seus Estados-membros.

Investir em saúde será investir em novos conceitos de cidades e regiões inteligentes, onde a transformação digital e uma nova mobilidade irão possibilitar níveis de crescimento económico nunca antes imaginados. Desde a medicina ao ensino personalizado, temos que aproveitar esta pandemia para começar a fazer mais e melhor pelo próximo, mas sobretudo aprender a fazer diferente.  

Plano de Recuperação e Resiliência: O Papel das Regiões de Saúde

Este o tema escolhido para a próxima Cimeira das Regiões de Saúde um evento com formato híbrido a partir do Funchal nos próximos dias 27 e 28 de abril.

Esta iniciativa conjunta entre o Fórum Hospital do Futuro e a Sectretaria Regional de Saúde e Proteção Civil da Madeira, com o patrocínio da Sanofi e da Sectra. Pedro Ramos (Secretário-Regional de Saúde da Madeira) preside a esta Cimeira que contará com as intervenções de Clélio Toste de Meneses (Secretario Regional da Saúde e Desporto), Arlindo Nascimento do Rosário (Ministro da Saúde e Segurança Social de Cabo Verde) na mesa de abertura.

Carlos Jesús Nunes (Presidente da ARS do Norte) preside à mesa “Testagem e Vacinação na Nova Normalidade” com intervenções de Cristina Abreu Santos (Vogal do Conselho Diretivo do INSA) e Duarte Santos (Membro da Direção da ANF, Past President da PGEU – Pharmaceutical Group of the European Union).

Luís Pisco (Presidente da ARS de Lisboa) preside à mesa “Saúde, Cidadania e Comunidade” com intervenções de Alexandre Guedes da Silva (Presidente da SPEM), Cristina Vaz de Almeida (Docente e Formadora em Literacia em Saúde), Nélida Aguiar (Direção da Associação Nacional de Cuidadores Informais.

Rui Nunes (Professor Catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto) preside à mesa “Regulação e Saúde 4.0” com intervenções de Maria do Céu Machado (Professora Catedrática jubilada da Faculdade de Medicina de Lisboa (FMUL), Nuno Figueiredo (Coordenador de Cirurgia Lusíadas Saúde) e Ponciano Oliveira (Vogal do Conselho de Administração da ARS Norte).

Fernando Almeida (Presidente do INSA) preside à mesa “I+D em Saúde: Da Medicina de Precisão às Regiões Inteligentes” com a presença de membros da Comunidade Científica e Empresarial, como Joana Branco Diretora do Biocant e com António Bob Santos (Vogal Executivo do Conselho de Administração da Agência Nacional de Inovação) orador convidado.

Miguel Albuquerque (Presidente do Governo Regional da Madeira) preside à sessão vespertina “O Papel da Saúde na Recuperação e Resiliência” um painel com transmissão em direto nas redes sociais com a participação dos ex-Ministros de Saúde Adalberto Campos Fernandes e Luis Filipe Pereira e Pedro Ramos (Secretário Regional da Saúde e Proteção Civil da Madeira). Moderador: Paulo Nunes de Abreu (Co-fundador Fórum Hospital do Futuro) e com os oradores Convidados: Arlindo Nascimento do Rosário (Ministro da Saúde e Segurança Social de Cabo Verde).

Herberto Jesús (Diretor Regional de Saúde da Madeira) preside à mesa “Centros de Responsabilidade Integrada uma Visão de Futuro” com a intervenção de John Preto (Diretor do CRI-Obesidade do CHUSJ)

Berto Cabral (Diretor Regional de Saúde dos Açores) preside à mesa “Comportamentos Saudáveis: Estratégias Integradoras” com intervenções de João Goulão (Presidente do SICAD e Adelaide Belo (Presidente da Portuguese Association for Integrated Care).

Rosa de Matos (Presidente do Conselho de Administração do CHULC) é oradora convidada na mesa “O Hospital em Casa” conta com as intervenções de Delfim Rodrigues (Coordenador Plano Hospitalização Domiciliária do SNS) e Ricardo Mestre (ex-Vogal do Conselho Diretivo da ACSS) e Mónica Rebelo (HSOG), Unidade Móvel de Apoio Domiciliário.

José Robalo (Presidente da ARS Alentejo) preside à mesa “Saúde e Turismo” com intervenções de Gustavo Tato Borges (Presidente da CEALCP Açores) e Jaime Quesado (Economista).

Rafaela Fernandes (Presidente do Conselho de Administração do SESARAM) fará a intervenção de abertura no Ideas Lab, Sessão de ideação e trabalho colaborativo por videoconferência para encontrar respostas às questões levantadas durante a Cimeira e na qual participam vários especialistas convidados e gestores hospitalares das várias regiões de saúde.

Nuno Oliveira Santos (Presidente Executivo da Agência para o Desenvolvimento e Coesão IP) é o orador convidado ara a Sessão de encerramento que preside Pedro Ramos (Secretário-Regional de Saúde e Proteção Civil da Madeira).

Os objetivos desta iniciativa de partilha de experiências entre Regiões de Saúde são os de contribuir para o fortalecimento dos laços de colaboração inter-organizacional em saúde, incluindo a participação ativa da sociedade civil, na procura contínua de ganhos em saúde e reforçando a importância do papel que as Regiões de Saúde podem desempenhar.

 

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Créditos da imagem de capa: https://www.mckinsey.com/industries/healthcare-systems-and-services/our-insights/when-will-the-covid-19-pandemic-end
By | 2021-04-11T16:28:59+01:00 Abril 5th, 2021|Categories: EDITORIAL|0 Comments

About the Author:

Licenciado em Psicologia das Organizações pelo ISPA, mestrado em Gestão de Informação pela Universidade de Sheffield e doutorado em Ciências de Gestão pela Universidade de Lancaster. De 1997 a 2017, foi professor no Instituto Superior de Psicologia Aplicada e no ISEG (Lisbon School of Economics and Management), onde levou a cabo diversos trabalhos de consultoria e projetos de investigação para o IDEFE, INETI, Câmara Municipal de Évora, Ministério da Saúde Portugal, Eureko BV no Benelux. Foi consultor do Governo Regional da Madeira (Direcção-Regional de Saúde), Observatório Europeu da Droga e Toxicodependência (OEDT), várias empresas do grupo EDP, Atecnic, Iberconsult e PWC (Price Waterhouse Coopers), em Espanha. Co-fundador do Fórum Hospital do Futuro e do Fórum Ibérico de Líderes em Saúde. Desde 2012 é membro da IAF - International Association of Facilitators e co-fundador da Digital Collaboration Academy. Desde 2018 é autor de "Arquitetar a Colaboração" uma série de livros dedicada à facilitação de grupos e liderança facilitadora e o seu último livro entitula-se "Beyond Virtual Meetings: Digital Tools for Higher Performing Teams and Organizations." https://twitter.com/nunesdea

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