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Há uma nova opção para as grávidas com esclerose múltipla

São cerca de 700 mil as pessoas que, na Europa, sofrem de esclerose múltipla (EM). As contas, da Plataforma Europeia da Esclerose Múltipla, confirmam que este é um problema que afeta mais as mulheres (numa proporção de duas para cada homem), sobretudo em idade fértil, sendo os 30 anos a idade média no momento do diagnóstico. A estes juntam-se outros dados, o que mostram que cerca de 43% das mulheres engravidam depois desse mesmo diagnóstico. É sobretudo para estas que o anúncio da aprovação, em Portugal, da remoção da contra-indicação na gravidez para o medicamento acetato de glatirâmero 40mg/ml, tem mais impacto. Isto depois de, em dezembro, já ter sido conseguida aprovada uma alteração semelhante para o acetato de glatirâmero 20mg/ml, revela a TEVA Pharmaceutical Industries.

A gravidez é um tema importante para as mulheres que sofrem de EM. Uma fase em que são muitos os receios, as angústias e os medos, muitos destes associados à toma de medicação. “A liberalização do uso do acetato de glatirâmerodurante a gravidez vem minimizar um problema relativamente comum, que é o do tratamento de mulheres que engravidam numa fase de doença ativa e que, por isso, têm um maior risco de surtos durante a gravidez e no período pós-parto”, confirma José Vale, médico neurologista e presidente do Grupo de Estudos de Esclerose Múltipla (GEEM). “Tal como foi demonstrado num enorme número de gravidezes, não há evidência que o acetato de glatirâmero cause problemas de fertilidade, abortamento ou malformações congénitas e a sua utilização nesse subgrupo de doentes pode ser de grande utilidade”, acrescenta.

Lívia Sousa, médica neurologista e responsável pela consulta de Doenças Desmielinizantes do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, olha para esta mudança, “enquanto neurologista dedicada ao tratamento desta doença, com uma enorme satisfação. Foi finalmente reconhecida a segurança do fármaco nesta população e a possibilidade de a utilizar nas pacientes que dela necessitem, uma vez ponderada a relação risco benefício”.

A remoção da contra-indicação na gravidez acontece depois do relatório positivo emitido pela  Agência Reguladora dos Medicamentos do Reino Unido (MHRA), e o posterior acordo de todos os estados membros da Europa que participaram no procedimento. O acetato de glatirâmero está indicado para o tratamento de doentes com formas recidivantes de EM.

A aprovação teve como base uma análise de casos prospetivos de gravidezes com desfecho conhecido, em mulheres com uma exposição confirmada ao acetato de glatirâmero 40 mg/ml três vezes por semana, procedentes da base de dados de farmacovigilância do acetato de glatirâmero da TEVA. Esta análise reforça a robustez da conclusão dos dados de gravidezes e utilização de acetato de glatirâmero 20 mg/ml, baseada em mais de dois mil casos. Até à data, este é o maior conjunto de dados analisados em mulheres grávidas com EM que foram expostas a tratamentos modificadores da doença durante a gestação.

O texto do Resumo das Características do Medicamento (RCM) do acetato de glatirâmero 40 mg/ml passa agora a ser: Osestudos em animais não revelaram toxicidade reprodutiva (ver secção 5.3). Os dados actuais sobre o uso de acetato de glatirâmero 20 mg/ml em mulheres grávidas indicam a ausência de malformações ou toxicidade fetal/neonatal. Os dados sobre o uso de acetato de glatirâmero 40 mg / ml são concordantes com estes factos. À data, não estão disponíveis dados epidemiológicos relevantes. Como medida de precaução, é preferível evitar a utilização de acetato de glatirâmero durante a gravidez, a menos que os benefícios para a mãe superem os riscos para o feto.

By | 2017-06-15T13:58:33+01:00 Junho 22nd, 2017|Categories: NOTÍCIAS|0 Comments

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