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EDITORIAL: A Revolução dos dados em Saúde

“O setor de saúde está à beira de uma grande transformação que afetará todas os seus stakeholders (…) Os atores históricos podem liderar ou podem tentar resistir a essa mudança inevitável. Uma grande variedade de organizações de saúde já está a fazer investimentos estratégicos num futuro que será definido por dados radicalmente interoperáveis, plataformas abertas e seguras e um atendimento orientado ao paciente. ”

in relatório da Deloitte “Picking up speed to become a reality for the future of health”.

Nesta nova era, impulsionada pela revolução da genômica e pela medicina de precisão, a gestão eficaz de dados de saúde pode trazer ganhos significativos em saúde para quem a conseguir dominar. Estaremos perante a busca do Santo Graal nos dias modernos?

A interoperabilidade radical sugere que todos os dados relevantes sobre a saúde das pessoas serão integrados e disponíveis para investigação e ação. Hoje, porém, muitos profissionais e sociedades médicas ainda estão estancadas no debate para concordar com padrões e vocabulários, propriedade de dados e na definição de protocolos de segurança.

De acordo com um artigo recente do Fórum Económico Mundial, são 4 os principais modos através dos quais a interoperabilidade dos dados pode melhorar os cuidados de saúde:

  1. – Imagens e diagnósticos mais precisos
  2. – Terapias sob medida
  3. – Organização de hospitais
  4. – Habilitando a colaboração no seio dos próprios sistemas de saúde.

Por exemplo, em oncologia, o processo de preparação, condução e documentação de reuniões clínicas é frequentemente subótimo e nada padronizado. Cada especialista agrega dados sobre um paciente em um silo. Como resultado, são realizadas reuniões alternando entre os diferentes sistemas e tecnologias usados ​​em cada disciplina.

Para resolver isso, uma aliança entre uma farmacêutica e a GE Healthcare cria uma solução que combina e analisa os dados de diagnóstico dos pacientes – incluindo genômica, patologia de tecidos e biomarcadores – com os dados de imagem e monitorização médica. A partir daqui, o software de integração de dados baseado na nuvem pode mudar radicalmente o processo das reuniões clínicas, ajudando os médicos a fazer diagnósticos mais informados e mais rápidos e a individualizar os tratamentos para cada paciente.

Para concluir, a interoperabilidade é uma necessidade crítica que os serviços de saúde precisam trazer para sua agenda principal e, de acordo com o Care Analytics News, este relatório produziu as seguintes recomendações:

  1. Priorize a interoperabilidade no nível de liderança de topo. Desenvolva “um entendimento claro e uma visão para o futuro de quão importante é para a estratégia geral da organização e do próprio Sistema de Saúde”.
  2. Invista estrategicamente, e não taticamente. Use soluções de nova geração para “garantir que a saúde da população, as estratégias de preços baseadas em valor e a medicina de precisão estejam alinhadas com a estratégia de interoperabilidade da organização e a visão de futuro”.
  3. Estabeleça um centro de competências em dados em saúde. As responsabilidades devem incluir a tecnologia de interoperabilidade da organização, a criação de padrões de dados e de interfaces e a partilha de boas práticas.
  4. Foco na interoperabilidade e nas parcerias. “Seja ativo, aberto e curioso”, diz o relatório. Pode haver oportunidades de colaboração – com concorrentes tradicionais, reguladores e organizações comunitárias – que não existiam no passado.
  5. Nos próximos dias 7 e 8 de maio, em Cascais, essas e outras grandes contribuições serão apresentadas e discutidas no Health Data Forum, a primeira cimeira para CIO, CMIO e CMO. Para se inscrever com os preços especiais “First wave” (só até 28 de Fevereiro): aqui.
By | 2020-02-11T19:07:30+01:00 Fevereiro 2nd, 2020|Categories: EDITORIAL|0 Comments

About the Author:

Licenciado em Psicologia das Organizações pelo ISPA, mestrado em Gestão de Informação pela Universidade de Sheffield e doutorado em Ciências de Gestão pela Universidade de Lancaster. De 1997 a 2017, foi professor no Instituto Superior de Psicologia Aplicada e no ISEG (Lisbon School of Economics and Management), onde levou a cabo diversos trabalhos de consultoria e projetos de investigação para o IDEFE, INETI, Câmara Municipal de Évora, Ministério da Saúde Portugal, Eureko BV no Benelux. Foi consultor do Governo Regional da Madeira (Direcção-Regional de Saúde), Observatório Europeu da Droga e Toxicodependência (OEDT), várias empresas do grupo EDP, Atecnic, Iberconsult e PWC (Price Waterhouse Coopers), em Espanha. Co-fundador do Fórum Hospital do Futuro e do Fórum Ibérico de Líderes em Saúde. Desde 2012 é membro da IAF - International Association of Facilitators e desde 2018 é autor de "Arquitetar a Colaboração" uma série de livros dedicada à facilitação de grupos e liderança facilitadora.

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