You are here:--Quando irá a economia de Portugal crescer 5% ao ano?

Quando irá a economia de Portugal crescer 5% ao ano?

O Fórum “Hospital do Futuro” existe há quase 15 anos. Ao longo deste tempo tenho conhecido vários lideres em saúde de alguns países da Iberofonia e em Portugal mantenho um contacto frequente com muitos. Com este passar dos anos, pessoas que seriam apenas minhas conhecidas, acabam por se tornar em verdadeiros “compagnon de route” e por isso nutro por alguns um sentimento de grande simpatia e até de amizade.

Precisamente com um desses amigos gracejei dizendo-lhe que o parlamento português deveria aprovar um orçamento para a saúde que fosse para 5 anos, ao que me respondeu – isso só será possível quando Portugal estiver a crescer 5% ao ano (referindo-nos aqui ao crescimento económico medido em % do PIB). Mas será assim tão displiciente este objetivo ou será que Portugal poderia mesmo crescer 5% ao ano a uns anos de vista? Neste pressuposto, acrescento aqui um ponto de vista. Peço que o considerem como uma mera hipótese para reflexão prática.

Historicamente Portugal contribuiu de forma decisiva para o estado do mundo que temos hoje. Foi um pioneiro da globalização planetária. Mas será leviano pensar que o poderia ter sido fora do contexto mais amplo de ser uma nação Ibérica, ou seja, parte integrante dos reinos da Peninsula Ibérica que foram ambos o máximo expoente do inicio da globalização com o tratado de Tordesilhas: as sinergias ibéricas associadas a uma saudável rivalidade entre dois reinos amigos contribui para o extraordinário sucesso de ambos!

Imaginar que nos dias de hoje Portugal pode voltar a ser um expoente mundial relevante de forma isolada será muito mais complicado. Precisamos de desenvolver cumplicidades estratégicas na nossa península como defendeu Saramago ou até mesmo em toda a ibero-américa como defende Adriano Moreira.

Alguém duvida? Comparemos Portugal e a Catalunha duas nações que coabitam na península ibérica, uma ‘independente’ e a outra não. Os activos dos maiores bancos catalães – La Caixa y Sabadell – superam em 400% e 200% os do maior banco português. Na Catalunha nascem uma plêiade de marcas ibéricas e globais incluindo a sua cidade capital BCN (16ª marca turística mundial). Em Portugal contam-se pelos dedos grupos como a SONAE ou Jerónimo Martins e todos sabemos que qualquer das suas marcas são inexpressivas a uma escala ibérica.

E poderíamos continuar assim até chegar ao valor do PIB cujo crescimento na Catalunha é de 3,3% em 2016 e próximo ao conjunto da Espanha e bem acima da média europeia enquanto que o de Portugal é de 1,6% e está endemicamente abaixo da mesma.

Qual o segredo?  Terão os catalães mais ganas que os portugueses? A resposta será talvez mais prosaica: a Catalunha faz parte da maior economia da peninsula ibérica, enquanto que Portugal é um país independente e por isso a sua economia é bem menor.

Qual a solução para que a economia de Portugal cresça 5% ao ano? Uma maior integração da sua economia na economia ibérica. E já que falamos de integração económica, por que não falar de integração em Saúde? Na área dos transplantes, do sangue, do medicamento, por exemplo, podemos dar os primeiros passos com a plena integração ibérica daquilo que terá que acontecer inevitavelmente um dia em toda a UE.

Exponho aqui a ideia da criação de uma ‘Confederação de Estados Ibéricos’. Talvez seja esta a fórmula mais rápida para chegarmos ambos países aos 5% de crescimento anual e recuperar uma posição de liderança mundial em conjunto com todos os povos irmãos que compomos a Ibero-américa. 

A cooperação entre todos estes diferentes Estados vai dando os seus passos e os resultados da ultima cimeira de ministros da saúde, podem ser vistos aqui. Esperamos agora pelas conclusões da cimeira de chefes de Estado que acabou este fim de semana e que apontem na mesma linha: mais cooperação já não basta, precisamos de mais integração ibérica para poder chegar lá.

By | 2017-02-08T22:23:58+01:00 Outubro 30th, 2016|Categories: EDITORIAL|0 Comments

About the Author:

Licenciado em Psicologia das Organizações pelo ISPA, mestrado em Gestão de Informação pela Universidade de Sheffield e doutorado em Ciências de Gestão pela Universidade de Lancaster. De 1997 a 2017, foi professor no Instituto Superior de Psicologia Aplicada e no ISEG (Lisbon School of Economics and Management), onde levou a cabo diversos trabalhos de consultoria e projetos de investigação para o IDEFE, INETI, Câmara Municipal de Évora, Ministério da Saúde Portugal, Eureko BV no Benelux. Foi consultor do Governo Regional da Madeira (Direcção-Regional de Saúde), Observatório Europeu da Droga e Toxicodependência (OEDT), várias empresas do grupo EDP, Atecnic, Iberconsult e PWC (Price Waterhouse Coopers), em Espanha. Co-fundador do Fórum Hospital do Futuro e do Fórum Ibérico de Líderes em Saúde. Desde 2012 é membro da IAF - International Association of Facilitators e atualmente faz parte do Board Global dessa associação como Director de Conferências e Eventos. Desde 2018 é autor de "Arquitetar a Colaboração" uma série de livros dedicada à facilitação de grupos e liderança facilitadora e o seu último livro entitula-se "Beyond Virtual Meetings: Digital Tools for Higher Performing Teams and Organizations."

Leave A Comment