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Tratamento da sépsis, uma das mais fatais consequências da Covid-19, distinguido com BfK Awards

“Scavenger receptor Spα treatment for COVID-19 associated inflammatory and cytokine storm” é o projeto nascido do conhecimento que conquistou o prémio Born from Knowledge (BfK) Awards, atribuído pela Agência Nacional de Inovação (ANI), no âmbito do i3S Health Innovation Prize, cuja edição deste ano foi totalmente dedicada a premiar soluções de prevenção e monitorização da Covid-19, meios de diagnóstico, descoberta de compostos terapêuticos ou de vacinação.

Desenvolvido por uma equipa de investigadores do i3S, liderada por Alexandre Carmo, o projeto visa o tratamento da sépsis, uma inflamação incontrolável que consiste numa resposta do sistema imunológico a desafios que este considera externos e prejudiciais, tais como a entrada de vírus e bactérias no organismo.

A sépsis é principal causa de morte em unidades intensivas de hospitais em todo o mundo e uma das consequências mais mortais da doença causada pelo novo coronavírus. Segundo um relatório da prestigiada revista científica britânica “The Lancet”, mais do que insuficiência respiratória (54%), a Covid-19 provoca sépsis na maioria dos seus pacientes (59%).

A tecnologia desenvolvida pelos investigadores do i3S consiste num recetor Spα, uma proteína que pertence a uma família de recetores ablutores (scavenger) endógenos, tendo assim benefícios tóxicos mínimos, uma grande componente anti-inflamatória e papel curativo. Testes laboratoriais apontam para uma redução substancial de infeção sistémica após a administração do recetor, com uma taxa de sobrevivência de cerca de 73%.

É precisamente nesta fase de resultados preliminares que se encontra o desenvolvimento do projeto, existindo ainda um pedido provisório de patente sobre o uso clínico de Spα no tratamento de doenças relacionadas à inflamação e sépsis.

No futuro, a reação anti-inflamatória e terapêutica de inflamações descontroladas provocadas pelo hospedeiro poderá ainda ser aplicada para diminuir a peritonite induzida por fungos, melhorar lesões renais agudas induzidas pelo hospedeiro e reduzir o desenvolvimento de carcinoma hepatocelular associado a esteatose, bem como da diabetes tipo 2, fibrose hepática, asma, dermatite atópica, entre outras condições.

“Este projeto combina uma série de características que justificam a atribuição do BfK. Além de ser uma tecnologia com um grande impacto na saúde das pessoas, não existindo em todo o mundo tratamento para a sépsis, incorpora uma forte componente de inovação de base científica e tecnológica. Os seus princípios basilares encontram-se em estudo há vários anos, sendo esta investigação em concreto coordenada por investigadores com um vasto currículo científico, com mais de 20 anos de experiência nacional e internacional nas áreas de Imunologia, Bioquímica e Patologias Virais. É uma solução inovadora, com robustez científica e com investigação preliminar realizada e comprovada com testes de eficácia”, explica António Bob Santos, administrador da ANI.

O “Scavenger receptor Spα treatment for COVID-19 associated inflammatory and cytokine storm” integra ainda um elevado grau de colaboração, estando a ser desenvolvido em parceria com dois dos melhores centros de investigação nas referidas áreas, o Instituto Gulbenkian de Ciência e o Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, bem como com a unidade de transferência de tecnologia do i3S.

Desde 2017, a ANI já premiou cerca de 30 projetos e empresas em concursos e prémios de inovação nacionais através do programa BfK. O “Scavenger receptor Spα treatment for COVID-19 associated inflammatory and cytokine storm” foi distinguido entre os finalistas da 3.ª edição do i3S Health Innovation Prize, cujos vencedores são anunciados hoje, 18 de junho. Além do prémio principal e do BfK, há ainda outros três prémios-parceiros: Esfera Cúbica, Porto Business School e Patentree. Todos eles premeiam projetos diferentes.

Em edições anteriores do i3S Health Innovation Prize, a ANI distinguiu os projetos HECOLCAP, um dispositivo médico eficaz no tratamento de infeções graves em doentes com pé diabético ou que desenvolvem infeções na sequência da aplicação de uma prótese ou implante, e MagCyte, que permite o diagnóstico de cancro até quatro anos antes de este ser diagnosticável através das técnicas de imagiologia usadas atualmente.

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By | 2020-06-25T11:33:11+01:00 Julho 7th, 2020|Categories: Sin categoría|0 Comments

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