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Um SNS de nova geração

Vencemos o medo

Em Maio de 2020 um conhecido evangelizador de Transformação Digital e Industria 4.0 publicava um artigo (com este vídeo de 14 minutos) com o título: “Le llamaron transformación digital pero la conoceremos como ‘salida de la crisis’. que me chamou imenso a atenção.

Mais de um ano e vários meses depois voltei a ver este vídeo e constato que pessoas como o Marc Vidal têm um papel muito semelhante ao do clero na idade média e não é por casualidade que se designam por ‘evangelizadores’. Eles são os guardiões de uma nova fé, a fé na omnipotência da humanidade.

A recente declaração de vitória em relação ao COVID19 vem reforçar essa fé e é muito tentador deixar-nos embriagar por este sucesso, mas ainda não temos razões para celebrar enquanto houver gente no mundo que quer ser mas não está ainda vacinada.

A crise mundial gerada pela COVID19 veio evidenciar o fim de uma época e o início de uma nova ordem mundial em que o Digital será a dimensão decisiva, o “make or break” de qualquer nação tal como referiu Ursula von der Leyen, no seu discurso sobre o Estado da União, esta mesma semana.

Vivemos hoje tempos em que a Internet e a revolução digital desempenham aquilo que a agricultura foi para o próprio dealbar da espécie que somos. É legitimo pensar que tal como o nosso antepassado Homo abilis precedeu o Homo erectus antes de dar lugar ao Homo sapiens, poderemos estar a transformar-nos numa espécie diferente.

Se existe algo certo na vida é a permanente mudança. O que o Marc Vidal nos vem lembrar é que todos receamos a mudança como uma forma natural de defesa psicológica. O medo é das mais úteis das emoções e jamais seriamos a espécie que somos sem esse bom companheiro.

A grande muralha da china é um excelente exemplo do poder mobilizador do medo e a COVID19 fez acontecer vários milagres que ninguém imaginava possíveis e vai possibilitar a vinda de muitos outros.

O próximo milagre?

Refiro-me, em concreto, apenas a um: o espaço europeu de dados em saúde e à possibilidade bem real de podermos criar na União Europeia o equivalente ao NHS Inglês, um sistema europeu de saúde que seja como a pedra angular de um futuro Estado pan-europeu.

Converter as organizações dos SNS de cada Estado membro em elementos interconectados de uma rede de sistemas de saúde mais vasta e mais sustentável, já esteve muito mais longe.

Ursula van der Leyen bem pôde celebrar o êxito da campanha de vacinação na UE. De uma forma quase sincronizada, todos os países receberam as suas doses de vacinas negociadas e compradas centralmente. É um grande primeiro passo.

Hoje os cidadãos europeus circulam livremente por toda a Europa graças à partilha de dados em saúde num certificado digital que já foi adotado em 42 países. É um grande segundo passo.

Sempre que se verifica que há um ganho comum e tangível para todos, a união política da UE funciona.

E que alívio seria para os governos dos Estados membros se as políticas de saúde e o desempenho dos seus SNS começasse a depender igualmente de um governo e de um orçamento central e comum.

Imaginem que a falta de médicos de família em Portugal pudesse ser resolvida em poucos meses a partir da existência de uma carreira atrativa e bem paga (com salários nivelados por Bruxelas) e um mercado de trabalho composto pelos 446 milhões de habitantes da União Europeia.

Em menos de 6 meses 865.000 portugueses já podem passar a ser seguidos pelo seu médico de família. Quantos votos é que isso não daria ao partido político no poder?

Cursos acelerados de português para médicos são muito mais económicos e rápidos que um curso de medicina.

Um serviço de saúde de nova geração será necessariamente um serviço glocal. Deverá ser capaz de dar as respostas locais mais eficazes, mas com o ‘poder de fogo’ de uma grande infraestrutura global que tal como nos concedeu a todos as vacinas contra a COVID19, poderá conceder não apenas os recursos humanos que nos faltam mas as últimas e mais avançadas terapias e tecnologias de saúde que um país pequeno e de poucos recursos dificilmente poderá adquirir.

E o poder da escala global não acabo aqui. No âmbito das novas terapias personalizadas, analisar uma base de dados clínicos de um único hospital é pouco útil, de uma região de saúde já tem mais valor, mas de 446 milhões de habitantes ou mesmo de 770 milhões (a totalidade da população da Europa) começa a fazer mais sentido.

Um encontro inclusivo

O verão está prestes a terminar e isso inicia a contagem regressiva para os preparativos finais de nossa próxima cimeira global de dados em saúde. É com imenso prazer que tenho o orgulho de anunciar vários oradores convidados de organizações tão diversificadas como a WHO, EMA, Circulo Health, Dedalus, EMCDDA, DG Santé, CNR-IMS (Itália), EUPHA. DG Research & Innovation, Governo Regional da Madeira, Ministério de Saúde do Brasil, que irão partilhar conhecimento e iniciar debates relevantes nos próximos 28 a 29 de outubro na capital do Norte Portugal – Porto ou Oporto como foi cunhado pelos mercadores ingleses no século XVII, mais concretamente no campus da FMUP, Universidade do Porto.

Temos o prazer de anunciar que Lord Nigel Crisp vai abrir este ano a nossa Cimeira, em direto desde o Porto e com difusão global, com um tema provocador que é também o título do seu mais recente livro: “A Saúde é Feita em Casa, os Hospitais são para Reparar. “

Publicado pela Salus, uma empresa editorial com uma longa tradição em expandir os horizontes da saúde e reunir pesquisadores, profissionais e formuladores de políticas em intercâmbios globais sobre como usar o poder do design para criar um planeta mais saudável e sustentar um futuro mais saudável para todos.

O objetivo do Health Data Forum Global Hybrid Summit não é criar um Davos dos dados em Saúde, embora estritamente do ponto de vista de marketing essa similaridade possa ser útil.

Graças aos nossos patrocinadores, esperamos que esta conferência seja tão inclusiva quanto possível e sem quaisquer barreiras econômicas para qualquer pessoa profundamente preocupada com dados de saúde de qualquer perspetiva, paciente, profissional de saúde, pesquisador e formulador de políticas. Todos são bem-vindos para assistir à transmissão ao vivo gratuita e participar nos debates da plataforma virtual como qualquer membro desta cimeira.

By | 2021-09-21T23:06:11+01:00 Setembro 16th, 2021|Categories: EDITORIAL, Sin categoría|0 Comments

About the Author:

Licenciado em Psicologia pelo ISPA, mestrado pela Universidade de Sheffield e doutorado pela Universidade de Lancaster. Desde 1996, foi professor no Instituto Superior de Psicologia Aplicada e no ISEG (Escola de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa). Como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, concluiu o doutoramento na Management School da Universidade de Lancaster em Novembro de 2000. Foi consultor do Governo Regional da Madeira (Direção Regional de Saúde) e levou a cabo diversos trabalhos de consultoria e projetos de investigação para o ISEG, INETI, Câmara Municipal de Évora, várias empresas do grupo EDP, Ministério da Saúde Portugal, Eureko BV, Observatório Europeu da Droga, e PWC, em Espanha onde reside. Como facilitador profissional certificado e membro da IAF (International Association of Facilitators), iniciou as Cimeiras Ibéricas de Líderes de Saúde em Espanha e o Fórum do Hospital do Futuro em Portugal. É especializado em GDSS (sistemas de apoio à decisão em grupo) e projeta intervenções para otimizar a mudança e a inovação em saúde e educação. Desde 2020, é cofundador da Digital Collaboration Academy, uma empresa com sede em Londres, dedicada a facilitar o caminho para a adoção de ferramentas para a colaboração digital.

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